Auditoria à gestão da GNR. "Não existem inocentes nesta história"

A Associação de Profissionais da Guarda (APG) pede a intervenção do ministro da Administração Interna, em relação às "falhas graves" na gestão financeira e de recursos humanos da GNR, identificados numa auditoria da IGAI

A GNR é a única força de segurança europeia que tem generais do Exército ao comando. Neste momento são nove generais no topo da hierarquia, mas já chegaram a ser 11. Botelho Miguel é o comandante-geral.

"Não existem inocentes nesta história", alerta a APG, a associação com maior representatividade dos militares da GNR, a propósito das conclusões da auditoria da Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) ao funcionamento do Comando de Administração e Recursos Internos (CARI), que gere os mais de 800 milhões de euros de orçamento e cerca de 23 mil quadros desta força de segurança.

Conforme o DN noticiou esta segunda-feira, foram detetadas "inúmeras desconformidades procedimentais e irregularidades normativas", bem como falta de transparência contratual e falta de militares habilitados para tratarem destas matérias.

A APG/GNR entende que "o Ministério da Administração Interna (MAI), que Tutela a IGAI e a própria GNR não se pode escusar a tomar uma posição firme, agindo no sentido de serem apuradas eventuais responsabilidades criminais e disciplinares". tendo remetido um ofício ao MAI nesse sentido.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, a APG lembra que o comando da Guarda é "tão profícuo a instaurar processos disciplinares a dirigentes da APG/GNR por prestarem declarações à imprensa, argumentando estar em causa a imagem e a coesão da Instituição e que, este caso concreto, caia no esquecimento".

"Nesta situação sim", é sublinhado, "está muito objetivamente a imagem e prestígio da GNR em causa, bem como os princípios de transparência que deve cumprir e fazer cumprir, naquilo que é a gestão do dinheiro dos contribuintes portugueses".

Para a APG "não existem inocentes nesta história" pois "há muito que tem vindo a alertar para a existência de uma monstruosa máquina administrativo-burocrática que absorve meios humanos formados para o contexto operacional". Esse é, no seu entender, o que explica a conclusão da IGAI, "apontando a falta de formação técnica e a deficiente articulação com os restantes serviços da Guarda, como uma das razões para que a gestão da Guarda seja permeável a determinado tipo de práticas ilícitas que podem consubstanciar crime".

Estão em causa 111 oficiais, 183 sargentos e mais de 500 Guardas, em que apenas 1/5 possui a formação técnica necessária, "sendo que os restantes poderiam estar a exercer funções operacionais em muitos locais de serviço do país que hoje estão a funcionar em condições inaceitáveis".

A associação revela que "o Comando da Guarda quererá ir mais longe, promovendo a concentração de meios no próprio Comando-Geral, ao que tudo indica, absorvendo cerca de 70% dos oficiais e sargentos numa futura mega-unidade, repetindo e ampliando o erro que é o próprio CARI, desvalorizando as consequências que esta possível decisão possa ter em termos operacionais, pretendendo criar um quartel-general que poderia ser adequado às Forças Armadas mas jamais numa Instituição de segurança pública, cuja carência de meios está, em muitos casos, a atingir o limite".

Artigo disponível em DN.PT