A APG/GNR já se posicionou oportunamente sobre a utilização de profissionais da GNR na condução de veículos pesados de transporte de matérias perigosas durante a greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), a que se associou o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN) e que terá início hoje.
Perante o evidente descontentamento e indignação sentidos pelos Profissionais da GNR, que vão cumprir horários desumanos durante este período e ainda estão a ser forçados a executar funções completamente estranhas à sua missão de segurança pública, considera-se lamentável que o Sr. Primeiro Ministro tenha demonstrado que claramente desrespeita a dignidade profissional daqueles que servem a Guarda.
Foi este o sentido das declarações que proferiu publicamente, entendendo mesmo que quem representa os profissionais da PSP e da GNR são os respectivos comandos, posicionando-se como se as suas estruturas representativas não existissem. Quer agrade ou não ao representante do Governo, são as associações e sindicatos que representam os profissionais das forças de segurança e esta postura presumida contraria elementares princípios da democracia.
A APG/GNR considera que esta atitude insulta o direito à organização colectiva dos profissionais da GNR e os seus representantes, sendo igualmente criticável a posição do Comando da Guarda, que mesmo tendo consciência das insuficiências objectivas ao nível da formação e equipamento disponível afirma que existem todas as condições para dar resposta a esta situação, mesmo sabendo que tal resultará em maior carga horária para os profissionais da GNR e em situações de risco objectivas, já que estes não possuem ADR. Também não seria expectável postura diferente, na medida em que se trata de um cargo de nomeação política, pelo que o Governo terá indagado junto de quem, à partida, iria concordar consigo.
A APG/GNR repudia as declarações do Primeiro-Ministro, reiterando a sua postura de não aceitação da instrumentalização dos profissionais da GNR para minimizar o impacto de um conflito ao qual são alheios.
Lisboa, 12 de Agosto de 2019
A Direcção Nacional da APG/GNR