A Associação dos Profissionais da Guarda tem vindo a denunciar diversas situações junto da Tutela e do Comando da Guarda, relacionadas com a necessidade de contenção da doença COVID-19 e com a operacionalidade de muitos locais de serviço, onde a prioridade deveria ser garantir a missão primordial da Guarda, considerando-se as actuais circunstâncias e, reconhecendo-se a sua importância, garantido a protecção dos profissionais da GNR que, nesta fase, terão um papel imprescindível.

Desde a primeira hora que a APG/GNR tem alertado para a falta de equipamento de protecção e de material desinfectante, bem como para diversas situações que ocorreram nalguns locais de serviço e que, desrespeitando o “Plano de Contingência COVID-19” da Guarda Nacional Republicana, não cumpriram regras básicas de combate à disseminação desta doença no efectivo.

A APG/GNR tem consciência das dificuldades que existem no mercado para a aquisição de material de protecção e não faz tábua rasa das mesmas. Contudo e a bem da transparência, não podemos aceitar que se afirme o que não corresponde à verdade.

No programa “Prós e Contras” emitido ontem na RTP, o responsável máximo da Instituição afirmou que, numa primeira fase, foram distribuídas “5000 máscaras aos patrulheiros”, para sua protecção, quando na altura existiam indicações claras para que fossem entregues aos cidadãos que manifestassem sintomas.

A APG/GNR lamenta semelhantes declarações e que o Comandante-geral da Guarda não tenha assumido as ordens por si emanadas, ficando o ónus da responsabilidade sob os Comandantes de Unidade e a ideia de que são da sua autoria essas mesmas indicações, sendo que os profissionais, na sua maioria, desde o primeiro dia que têm trabalhado sem protecção.

Da mesma forma, a APG/GNR continua perplexa com a falta de cumprimento das instruções do “Plano de Contingência COVID-19” nalguns locais de serviço. Não foi recebida resposta às denúncias oportunamente remetidas ao Comando da Guarda e ao MAI. Desde locais de serviço que empenharam efectivo na realização de serviços remunerados sem interesse público, à realização de operações de fiscalização de trânsito, à obrigatoriedade de equipas de reserva se manterem nas mesmas instalações que as outras equipas em funções, arriscando-se o contágio de todo o efectivo e até mesmo ao caricato caso da Escola da Guarda, onde se realizaram formaturas até ao final da semana passada, mesmo com casos suspeitos e, ainda, mantém-se ao serviço todo o efectivo da secretaria, num espaço físico reduzido, que não permite o distanciamento social, independentemente de não existir volume de trabalho que o justifique.

A gravidade do momento que vivemos impõe que todos tenhamos sentido de responsabilidade e, os profissionais da GNR, que estarão sempre no topo do risco do desenvolvimento desta pandemia devem ser protegidos.

Os profissionais da GNR agradecem o reconhecimento expresso pelo responsável da Instituição no programa televisivo supra-referido, mas certamente ficariam mais reconhecidos se vissem reflectido no seu quotidiano um empenho inexcedível de todas as chefias no cumprimento da sua missão em segurança. Assumir publicamente as dificuldades existentes, corresponder às sérias preocupações que têm sido transmitidas pelo efectivo e agilizar a homogeneidade dos procedimentos no sentido de salvaguardar a segurança de todos os profissionais da Guarda deveriam ser as prioridades de quem tem sobre a sua responsabilidade o comando de milhares de mulheres e homens que, nesta fase, mais que nunca, arriscam a vida em nome da paz pública.

Lisboa, 24 de Março de 2020

A Direcção Nacional da APG/GNR