A Associação dos Profissionais da Guarda - APG/GNR teve conhecimento da nomeação do Tenente-General Rui Clero, que será empossado no próximo dia 15 de Julho.

A APG/GNR, em coerência com aquilo que têm sido as suas posições públicas e com a sua visão da segurança pública lamenta que continuem a ser nomeados Generais das Forças Armadas para gerir uma Instituição que é policial. Independentemente do Estatuto já permitir a ascensão dos Oficiais da Instituição até Oficial-general, a recente criação do posto de Brigadeiro-general apenas veio obstaculizar  essa progressão e corresponder aos intentos de quem pretende perpetuar este tipo de nomeações.

Será igualmente oportuno, em jeito de balanço, avaliar o mandato do actual Comandante-Geral, que se pautou pela prepotência, por via da instauração de processos disciplinares e crime a dirigentes associativos por defenderem os direitos daqueles que representam.

Outra tónica do exercício do Tenente-General Botelho Miguel terá sido o absoluto desrespeito pela APG/GNR, enquanto estrutura mais antiga e representativa dos profissionais da Guarda, que viu as suas posições remetidas sistematicamente ao silêncio e que durante todo um mandato apenas reuniu com o responsável da Instituição uma única vez, durante 50 minutos.

A última tónica e não de menor importância será a irresponsabilidade, designadamente nos comportamentos ou ausência destes durante a pandemia - não apresentando informação pública transparente sobre o número de infectados, ao contrário do que acontece na força congénere, não diligenciando no sentido de agir de forma célere sempre se diagnosticavam casos positivos em locais de serviço. Apesar de denúncias sistemáticas a este respeito, a APG/GNR nunca obteve resposta, o que diz bem da importância que semelhantes assuntos merecerem.

Quem gere uma Instituição com a dimensão e importância da GNR não pode, sob nenhumas circunstâncias, escusar-se a “dar a cara” pelo efectivo e a fazer o melhor pelo seu bem-estar, assumindo as estruturas associativas como elemento fundamental para aferir as reais preocupações daqueles que comanda.

Neste contexto, a APG/GNR faz votos para que o mandato de Rui Clero se demarque pela ruptura com o passado, pela proactividade em defesa dos Profissionais da Guarda, pela democraticidade no relacionamento com as estruturas associativas e pela diferença, no sentido de uma Instituição modernizada, humanizada e ao serviço da segurança dos cidadãos.

Lisboa, 10 de Julho de 2020

A Direcção Nacional