Nota à Imprensa

Muito se tem falado sobre a situação que ocorreu em Santo Tirso, em que um canil ilegal foi atingido por um foco de incêndio, o que gerou um crescendo de indignação, por parte de defensores dos direitos dos animais, que se alastrou já a outras situações.

Este caso tornou-se de tal forma mediático que se ultrapassou a si próprio. A desinformação e aproveitamento político de certos sectores, que fazem opinião com base no número de likes de publicações e comentários nas redes sociais é deplorável, sendo que nada justificará os insultos, ameaças e afirmações difamatórias da honra e profissionalismo dos profissionais da GNR que intervieram no local e que circulam amplamente na internet.

Esta situação faz lembrar Pedrógão e, mais uma vez encontra-se nos profissionais da Guarda o bode expiatório quando algo corre mal, sendo que estes mesmos “defensores dos animais” têm boa parte da responsabilidade objectiva de situações deste tipo, ao forçarem a aprovação de uma lei que proíbe a eutanásia dos animais, ao mesmo tempo que não garante respostas de acolhimento em número suficiente e condignas ao nível dos municípios, proliferando um sistema de criação de canis geridas por particulares e de difícil fiscalização.

Por outro lado, os profissionais da Guarda que acorreram ao local cumpriram ordens, ordens essas que eram avisadas, considerando que os animais iriam ser recolhidos no dia seguinte e tinham alimentação e os tais populares, silenciosos quando situações como estas são criadas, apenas partiram para acção com a chegada dos OCS, o que faz questionar as intenção, não de todos, mas de boa parte dos populares presentes.

Contudo, aquilo que é o cerne desta questão é a facilidade com este tipo de conteúdos nas redes sociais, dirigidos às Forças de Segurança se tornou “moda”, sabendo-se de antemão que sairão impunes, mesmo que injuriem, mesmo que ameacem, mesmo que seja claro que se tratam de crimes.

As forças de segurança são o rosto do Estado junto do cidadão e se estas não são respeitadas e não existe qualquer agilidade no cumprimento da lei que reconhece a gravidade da ofensa a funcionário público por via de uma maior moldura penal, então algo de errado se passa, pois neste caso até fica a caricata ideia de que os animais em causa terão maior salvaguarda da sua dignidade do que os agentes que cumpriram o seu dever no lugar e que têm o direito a ver preservadas a sua dignidade e honra.

Quem esteve, desde o primeiro momento a garantir a contenção do incêndio e a preservação da vida dos animais foram os profissionais da GNR e os bombeiros, motivo pelo qual é injusto e inadmissível que o prestígio da Instituição e a honra e consideração dos que a servem fique refém de expedientes políticos, sem consequências.

Neste contexto, exigem-se medidas drásticas,quer por parte da Tutela, quer por parte do Comando Geral, que não sejam letra morta e que sejam de facto dissuasoras deste tipo de crime.

Lisboa, 23 de Julho de 2020

A Direcção Nacional