A APG/GNR teve conhecimento de que existe um surto de Covid-19 no Quartel do Carmo, no Porto e que decorre um processo de investigação para aferir se estará ou não relacionado com dois almoços que se realizaram no local, por ocasião da despedida do anterior Comandante de Unidade.

A APG/GNR considera que o principal neste caso não será o mediatismo das duas alegadas “festas” em que ninguém pode garantir com certeza se foram ou não cumpridas as regras de segurança sanitária que vigoram por força da pandemia de SARS-COV 2, até porque trata-se de um local onde diariamente é servido um número superior de refeições.

Aliás, esta questão será irrelevante se não se considerar o contexto global da resposta à pandemia na Instituição.

Até há pouco tempo os profissionais da GNR, em caso de suspeita de contágio ou se manifestassem sintomas deveriam recorrer ao Centro Clínico de Lisboa que, sendo único no país, não tem capacidade para corresponderem às solicitações diárias, que aumentaram consideravelmente durante a pandemia. O contacto telefónico tornou-se impraticável e isto quando os seus utentes por força das suas funções e, independentemente da pandemia deveriam ter acesso facilitado aos seus serviços de saúde.

A APG/GNR relembra que a autoridade de saúde é a DGS e como tal os contactos devem ser efectuados para a linha SNS 24, que deve gerir as situações, não sendo admissível que, como tem acontecido em alguns casos, existam Unidades que têm um entendimento diferente das orientações dadas pela linha ou mesmo que dificultem o reconhecimento das baixas médicas correspondentes aos isolamentos profilácticos.

Hoje desconhece-se o número total de profissionais da GNR infectados desde o início da pandemia, motivo pelo qual importa, com urgência, encetar esforços que promovam rastreios periódicos a estes agentes da segurança pública, que embora o Governo não o reconheça, estão na linha da frente e estão amplamente sujeitos ao contágio.

O contexto que vivemos, do ponto de vista da saúde pública é preocupante, exige medidas preventivas e proactividade na estratégia de combate à disseminação do SARS-Cov2 e, esta, também passa pelo exemplo, que deve vir de cima. Referimo-nos especificamente às comemorações do dia da Unidade da UCC, que decorrerão hoje e que contarão com a presença do Ministro da Administração Interna, data que poderia ser assinalada com dignidade mas com maior discrição no número de participantes, até porque os cidadãos não entenderão que lhes estejam a ser impostas medidas de “ajuntamento” tão restritivas e que existam deste tipo.

Lisboa, 23 de Outubro de 2020

A Direcção Nacional