Hoje comemora-se o dia da Unidade da Unidade de Controlo Costeiro, em Setúbal.

Tal como temos assumido em outras ocasiões similares, não são as comemorações faustosas dos dias de aniversário das diferentes Unidades da Instituição que fazem com que se assinale estas datas com dignidade. Essa dignidade deveria advir primeiramente de um sentimento de união - hierarquia e profissionais da GNR – e isso é impossível nas actuais circunstâncias.

Contrariando qualquer noção de boa gestão de recursos, quer humanos, quer materiais, antevê-se que  a UCC leve a cabo festividades megalómanas, junto ao quartel da UCC de Setúbal.

Aliás não deixa de ser risível o facto de a pompa da cerimónia contrastar com o estado em que se encontra o interior e a fachada o quartel que, visivelmente, pelo seu estado de degradação, carece de intervenção urgente.

Mais que questionar o dispêndio de verbas do orçamento da Guarda em festas aparatosas, quando há escassez de recursos financeiros para intervenções essenciais, como se verifica no adiamento das manutenções periódicas das embarcações, que podem colocar em risco a integridade física dos profissionais, o que nos parece como absolutamente inadmissível é o facto do Comando da UCC ter decidido proibir o usufruto de licença de férias entre os dias 18 e 29 de Outubro, para garantir o apoio à cerimónia.

Sendo a UCC de âmbito nacional e, para apoiar o evento, devido aos escassos recursos humanos, é expectável que venham profissionais de todo o país para Setúbal que serão desviados da sua missão orgânica de segurança pública, o que nos parece, a todos os títulos, incompreensível.

Não somos contra a celebração dos aniversários das Unidades, não podemos é aceitar que se comemore com pompa e circunstância sabendo que a Guarda e, principalmente, os seus profissionais estão desmotivados, por exemplo no passado dia 21 foi-lhes retirado dinheiro do vencimento referente ao irrisório subsídio extraordinário de Covid, que têm direito.

O sentimento festivo que a Guarda pretende promover hoje, certamente não corresponde ao descontentamento daqueles que se viram proibidos de agendar férias, bem como de todos os outros que foram forçados a deslocar-se até Setúbal, em prol da comemoração de uma fulcral valência da Guarda, à qual dão o melhor de si diariamente, mas que não tem os seus direitos e condições de serviço como prioridade.

Lisboa, 25 de Outubro de 2021

A Direcção Nacional da APG/GNR