A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) tem vindo ao longo dos anos a afirmar que são urgentes medidas de protecção de saúde mental e de prevenção do suicídio na GNR, denunciando a importância de uma maior sensibilização para a valorização da saúde mental dos profissionais da GNR, para a problemática do suicídio e para as situações de risco, devendo, com urgência, ser implementado um plano de protecção e prevenção eficaz que nunca o poderá ser verdadeiramente se não existir formação e consciencialização das chefias para esta questão, para que ajam atempadamente, evitando o pior, para que o profissional veja na Guarda uma possibilidade de apoio efectivo, sem receios.

Está em causa não só a preocupação com todos aqueles que, estando na posse de uma arma para proteger os cidadãos, acabam por pôr termo à própria vida mas, também, com todas as situações que colocam os profissionais da GNR em risco de tomar esta trágica decisão, como as patologias do foro psíquico e os factores que concorrem para que estas se desenvolvam, como sejam o ambiente em que trabalham, o apoio que sentem ou não, no seu contexto profissional.

A APG/GNR tem desenvolvido parcerias e participado em estudos procurando ajudar e proteger os profissionais, nesse sentido, no dia 11 de novembro de 2021, decorreu via ZOOM, uma defesa de tese de mestrado do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-UAL),  onde pela primeira vez foram usados dados recolhidos no âmbito da parceria do ISCTE-UAL com a APG/GNR, tendo os profissionais da GNR respondido sob anonimato a um inquérito com vista à obtenção de números rigorosos e dados que permitam tipificar e quantificar situações de risco, visando a prevenção do suicídio na GNR.

Acerca do acontecimento, Cláudio Almeida, Associado da APG/GNR e Antigo Coordenador da Delegação da Região de Lisboa da APG/GNR, refere:

“O saber não ocupa lugar! Quando se quer crescer, o saber não ocupa lugar.

Para reivindicar, o que quer que seja, o conhecimento é essencial, pelo que o saber não ocupa lugar.

Saber o que melhorar, como melhorar e porquê reivindicar. Nesse sentido a APG/GNR, procura saber mais. E porque nunca é tarde para saber, a APG/GNR promoveu um protocolo com o ISCTE, de modo a alicerçar as suas reivindicações num conhecimento científico e inabalável.

Foi com base no protocolo firmado, que a Sra. Dra. Susana do Val obteve o seu grau de Mestre em Psicologia Social e das Organizações. Num trabalho muito bem conseguido que obteve a menção de Muito Bom.

A tese subordinada ao tema “A associação entre crença pessoal do trabalhador num mundo justo – Voz e Burnout”.

Partiu de uma amostra de profissionais da GNR, sócios da APG/GNR, onde foram analisadas as perceções de eficácia da voz, os riscos associados à voz, bem como a exaustão e o distanciamento.

Os resultados obtidos, de forma independente e autónoma, com recurso a metodologia científica, não deixam margems para dúvidas. É necessário fazer melhor. Sendo aconselhável a quem se preocupa com a instituição GNR, sobretudo aqueles que têm poder de decisão, ler, analisar e retirar as suas conclusões.

Á Mestre Susana do Val parabéns pelo seu feito. À Professora Isabel Correia muito obrigado pelo carinho e trabalho desenvolvido.
Cláudio Almeida”

Na GNR não existe qualquer plano de protecção da saúde mental e o plano de prevenção do suicídio que existe, é manifestamente insuficiente, sendo esta, reconhecidamente, uma população de risco, julga-se pertinente a colaboração e divulgação deste e de outros estudos.

A APG/GNR continuará a desenvolver esforços por forma a contribuir e acompanhar a resolução desta problemática.

Lisboa, 15 de Novembro de 2021

A Delegação Regional da Região de Lisboa da Associação dos Profissionais da Guarda – APG/GNR

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